Próteses e implantes

Dentadura que se solta: por que acontece e quais são as saídas

Francisco Loures Valle LimaSócio e cirurgião chefe

A dentadura solta é uma das queixas mais comuns de quem usa prótese há alguns anos. Ela escapa ao falar, levanta ao morder um pão, machuca a gengiva e obriga a pessoa a escolher o que come. Muita gente se acostuma com isso e passa a usar fixador todos os dias, como se fosse parte normal da vida com dentadura.

Não é. Na Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2010), uma das formas de classificar uma prótese como inadequada, com necessidade de troca, era justamente a retenção: se ela estava folgada. Estabilidade, isto é, se a peça se desloca, e lesões na boca também entravam na conta. No mesmo levantamento, 78,2% dos idosos de 65 a 74 anos usavam algum tipo de prótese e 68,7% tinham necessidade de prótese, seja para repor dentes, seja para trocar a que usavam. Ou seja, a dentadura que solta é um sinal clínico, não um defeito de adaptação da pessoa.

Este texto explica por que a dentadura fica frouxa e quais são as saídas possíveis, do ajuste mais simples à prótese fixa sobre implantes. No Instituto Smiles Odontologia, em Betim, os casos de reabilitação passam pela avaliação da equipe coordenada pelo diretor clínico Dr. Bruno Pardini Gontijo (CRO-MG 33.569), e as cirurgias ficam a cargo do Dr. Francisco Loures Valle Lima (CRO-MG 33.638), cirurgião chefe.

Por que a dentadura fica frouxa na boca?

Resposta rápida

A principal causa é a reabsorção óssea: sem as raízes dos dentes, o osso que sustentava a gengiva vai diminuindo com os anos, e a dentadura, que foi feita para outro formato, perde o encaixe. Desgaste da própria peça e alterações na mordida completam o quadro. A causa quase nunca é falta de jeito do paciente.

A raiz do dente estimula o osso ao redor durante a mastigação. Quando o dente é extraído, esse estímulo desaparece e o osso começa a se remodelar, perdendo altura e largura. A dentadura apoia na gengiva que cobre esse osso. Se a base encolhe e a prótese continua do mesmo tamanho, sobra espaço, e é nesse espaço que a peça balança.

Os dentes de resina da dentadura também se desgastam com o uso. Quando a mordida fica mais baixa ou desencontrada, a força da mastigação deixa de cair no centro da prótese e passa a empurrá-la para os lados. Por isso uma dentadura antiga pode soltar mesmo quando a gengiva ainda está razoável.

Por que a de baixo costuma soltar mais que a de cima?

A dentadura superior se apoia em uma área mais ampla, que inclui o céu da boca, e isso ajuda a criar uma espécie de ventosa. A inferior tem uma área de apoio bem menor, dividida em forma de ferradura, e ainda convive com a língua, que se mexe o tempo todo ao falar e engolir. Por isso a queixa de dentadura inferior frouxa é tão frequente no consultório.

O que fazer quando a dentadura está soltando?

Resposta rápida

O primeiro passo é uma avaliação para descobrir a causa. Dependendo do caso, a solução pode ser um ajuste da mordida, um reembasamento, que refaz a parte da base que encosta na gengiva, uma dentadura nova ou uma prótese apoiada em implantes. Fixador pode ajudar temporariamente, mas não corrige o problema de encaixe.

Vale observar alguns sinais antes da consulta, porque eles ajudam o dentista a entender o que está acontecendo. A dentadura solta mais ao falar ou ao mastigar? Há feridas que voltam no mesmo lugar? A peça tem mais de alguns anos de uso? A mordida parece ter mudado? Essas respostas separam um problema de ajuste de um problema de osso.

Se você está pesquisando junto com seu pai ou sua mãe, uma dica prática: acompanhe uma refeição e repare em quais alimentos eles evitam. Muita gente deixa de comer carne, maçã e milho sem comentar. Esse relato ajuda na avaliação tanto quanto o exame.

Saídas para a dentadura solta, da mais simples à mais completa

OpçãoQuando costuma ser indicadaO que muda para o paciente
Ajuste da mordidaDentadura ainda boa, com contato desigual entre os dentesMais estabilidade ao mastigar, com intervenção pequena
ReembasamentoBase folgada por mudança na gengiva, peça ainda em bom estadoEncaixe refeito sem trocar toda a dentadura
Dentadura novaDentes desgastados, peça antiga ou quebradaNova mordida e novo encaixe, ainda removível
Dentadura presa em implantes (overdenture)Quer mais firmeza, mas aceita tirar a peça para limparMais retenção com poucos implantes, ainda removível
Protocolo sobre implantesQuer dentes que não saem da boca e há osso ou técnica para issoPrótese fixa, retirada só pelo dentista

O que é bom para segurar uma dentadura?

Resposta rápida

O fixador em creme, pó ou adesivo pode dar mais segurança em situações pontuais, como uma dentadura recém-instalada ou um compromisso importante. Ele não substitui o encaixe. Se você precisa aumentar a quantidade de produto para a peça parar no lugar, o sinal é de que a base ou o osso mudaram.

O uso contínuo de fixador em uma dentadura mal adaptada tem outro efeito: ele disfarça a folga, mas a peça continua se movendo sobre a gengiva, o que pode causar feridas e irritação. E o excesso de produto acumulado precisa ser removido com cuidado todos os dias.

Receitas caseiras de fixador, como as feitas com farinha, aparecem muito nas buscas. Elas não passaram por nenhum teste de segurança ou higiene e podem acumular resíduos que fermentam sob a prótese. A orientação é não usar. Se o fixador comercial já não resolve, o caminho é avaliar a prótese.

Tem como apertar a prótese dentária?

Resposta rápida

Não existe um aperto como em um parafuso, mas é possível refazer o encaixe. O reembasamento refaz a parte interna da dentadura para acompanhar o formato atual da gengiva. Em outros casos, o ajuste da mordida ou uma dentadura nova resolvem. Quando o osso diminuiu muito, a firmeza passa a depender de implantes.

A dentadura não é uma peça para a vida toda. Como a boca muda, ela precisa ser revisada periodicamente, e é comum que precise ser refeita depois de alguns anos de uso. Quem usa a mesma dentadura há muito tempo sem nenhuma revisão costuma ter, ao mesmo tempo, osso reabsorvido, dentes desgastados e feridas crônicas, e aí as opções mais simples já não bastam.

Se a queixa é uma ponte móvel, com grampos presos em dentes naturais, o raciocínio é parecido, mas os dentes de apoio entram na avaliação. O artigo sobre prótese parcial removível trata desse caso.

Quando os implantes passam a ser a saída?

Resposta rápida

Os implantes entram quando os ajustes deixaram de resolver ou quando o paciente quer uma dentadura que não saia da boca. Com dois ou mais implantes na arcada inferior, a dentadura pode encaixar e ficar firme; com mais implantes, é possível ter um protocolo fixo. A indicação depende do osso, avaliado por tomografia.

Para a arcada de baixo, que é a que mais incomoda, a literatura tem um marco conhecido. Em 2002, um grupo de especialistas reunidos na Universidade McGill, no Canadá, publicou um consenso afirmando que a dentadura inferior retida por dois implantes deveria se tornar a primeira escolha de tratamento para quem não tem dentes na mandíbula, em vez da dentadura convencional. A recomendação se baseou em ganhos de satisfação, de mastigação e de qualidade de vida.

Para quem quer dentes fixos, o protocolo é a solução mais completa, explicada no artigo sobre o que é o protocolo e como é o processo. E a comparação direta entre as duas soluções está no texto sobre dentadura ou protocolo.

E se já me disseram que eu não tenho osso?

Essa frase costuma assustar, mas ela precisa ser traduzida. Às vezes significa que falta osso para um implante comum em determinada região, e não em toda a boca. A tomografia mostra quanto osso existe e onde. No Instituto Smiles, o tomógrafo é próprio e as cirurgias acontecem no centro cirúrgico de nível hospitalar da clínica. Para a arcada superior com pouco osso, a clínica é uma das poucas da região que realizam implante zigomático, técnica explicada no artigo sobre a alternativa para quem ouviu que não tem osso.

Perguntas frequentes

Quando a pessoa emagrece, a dentadura fica frouxa?

O emagrecimento pode mudar o contorno do rosto e a sensação da prótese na boca, e algumas pessoas relatam mais folga nesse período. Ainda assim, a causa mais frequente da dentadura frouxa é a redução do osso com o tempo. Se a folga começou junto com a perda de peso, a avaliação ajuda a separar uma coisa da outra.

Posso usar fixador de dentadura todos os dias?

O fixador comercial pode ser usado conforme a orientação do fabricante e do dentista, mas precisar dele todos os dias para a dentadura parar no lugar indica que o encaixe não está adequado. Nesse caso, o indicado é avaliar a prótese antes que surjam feridas.

Dentadura solta pode machucar a gengiva?

Sim. Quando a peça se move, ela atrita a gengiva e pode causar feridas, muitas vezes no mesmo ponto. Ferida que não cicatriza deve ser examinada pelo dentista, com ou sem dentadura na boca.

Tenho medo de cirurgia. Existem opções sem implante?

Sim. Ajuste, reembasamento e dentadura nova não envolvem cirurgia e resolvem parte dos casos. Se o implante for indicado, o medo pode ser conversado com calma antes da decisão. O Dr. Francisco tem habilitação em sedação consciente com óxido nitroso, recurso que pode ajudar pacientes ansiosos quando indicado.

Se a dentadura está soltando, machucando ou limitando o que você come, uma avaliação mostra a causa e as saídas possíveis para o seu caso, da mais simples à mais completa. No Instituto Smiles Odontologia, na Avenida Presidente Kubitschek, 665, Centro, Betim, os exames de imagem são feitos na própria clínica e um familiar pode acompanhar a consulta.

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Sobre o autor

Francisco Loures Valle Lima

Sócio e cirurgião chefe · CRO-MG 33638

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