Protocolo superior e inferior: as diferenças no planejamento
Francisco Loures Valle LimaSócio e cirurgião chefe
Quem pesquisa protocolo superior e inferior normalmente já sabe o básico: é uma prótese fixa, parafusada sobre implantes, que substitui todos os dentes de uma arcada. A dúvida que chega ao consultório é outra. Por que o dentista fala em quatro implantes embaixo e em seis em cima? Por que o prazo de uma arcada pode ser diferente do da outra? E por que tanta gente escuta que "em cima é mais difícil"?
A resposta está na anatomia. A maxila, o osso de cima, e a mandíbula, o osso de baixo, são diferentes em densidade, em formato e nas estruturas que existem ao redor deles. O seio maxilar fica acima dos dentes posteriores de cima. O nervo que dá sensibilidade ao lábio inferior passa por dentro da mandíbula. Cada um desses detalhes muda o desenho do tratamento.
Neste artigo, com revisão técnica do Dr. Francisco Loures Valle Lima (CRO-MG 33.638), cirurgião chefe do Instituto Smiles, explicamos o que muda no planejamento de cada arcada, com base na literatura científica, para que você chegue à avaliação sabendo o que perguntar.
Qual a diferença entre o protocolo superior e o inferior?
Resposta rápida
A diferença está no osso que recebe os implantes. A mandíbula anterior costuma ser mais densa e tem espaço seguro entre os forames mentonianos, por onde sai o nervo do lábio. A maxila costuma ser menos densa e tem o seio maxilar acima da região posterior. Por isso o protocolo superior tende a pedir mais implantes e mais cuidado.
A prótese em si é parecida nas duas arcadas. O que diverge é a base. Um trabalho publicado na Revista de Odontologia da UNESP descreve a configuração convencional do protocolo como quatro implantes inferiores, posicionados no espaço entre os forames mentonianos, e seis implantes superiores. Essa é a referência clássica, não uma regra fixa. Existem técnicas com implantes inclinados que permitem reabilitar arcadas com quatro implantes também em cima, quando o caso permite.
Na prática, duas pessoas com "protocolo superior" podem receber planejamentos bem diferentes. Quem define é a tomografia.
O que é um protocolo superior?
É a prótese fixa sobre implantes que substitui todos os dentes de cima. Diferente da dentadura superior, ela não cobre o céu da boca, porque se apoia nos implantes e não no palato.
O que é um protocolo inferior?
É a prótese fixa sobre implantes que substitui todos os dentes de baixo. A dentadura inferior convencional costuma ser a que mais incomoda, porque a área de apoio é pequena e a língua empurra a peça ao falar e mastigar. O artigo da UNESP registra justamente essa perda de estabilidade das próteses totais apoiadas no rebordo, especialmente as inferiores, como um dos motivos para o uso de implantes. Quem convive com esse problema pode ler mais em.
Por que o osso de cima costuma ser mais difícil para implantes?
Resposta rápida
Porque a maxila, especialmente na região posterior, costuma ter osso menos denso e altura limitada pelo seio maxilar. Um estudo da Faculdade de Odontologia da UFG, com tomografia computadorizada, encontrou a menor densidade óssea trabecular na maxila posterior, em torno de 255 unidades Hounsfield, contra cerca de 383 na mandíbula anterior.
Unidade Hounsfield é a escala que a tomografia usa para medir densidade: quanto mais alto o número, mais denso o osso. Implante em osso mais denso tende a ter mais travamento inicial, a chamada estabilidade primária. Em osso menos denso, o cirurgião pode ajustar a técnica, distribuir mais implantes ou esperar mais antes de colocar carga.
Isso não significa que o protocolo superior "não dá certo", e sim que ele exige leitura mais cuidadosa do osso. Por isso, no Instituto Smiles, a tomografia é feita no tomógrafo próprio da clínica, e o cirurgião avalia a densidade e o volume ósseo região por região antes de definir quantos implantes usar e onde.
O que o seio maxilar tem a ver com isso?
O seio maxilar é uma cavidade de ar acima dos dentes posteriores de cima. Quando esses dentes são perdidos, a altura de osso entre a boca e o seio pode ficar pequena. Uma revisão publicada no periódico Oral Implantology descreve os implantes inclinados, paralelos à parede do seio ou ao forame mentoniano, como uma solução conservadora que, para alguns pacientes, dispensa o enxerto.
Quantos implantes vão no protocolo de cima e no de baixo?
Resposta rápida
Na configuração clássica, quatro implantes embaixo e seis em cima, mas o número final depende do osso de cada paciente. A literatura registra bons resultados de protocolos inferiores sobre três ou quatro implantes com carga imediata, enquanto na maxila costuma-se usar um número maior de implantes. A tomografia define o que cabe no seu caso.
A lógica é biomecânica. Osso menos denso recebe a força de mastigação de forma diferente, e mais pontos de apoio ajudam a dividir essa carga.
Outro fator é o chamado cantiléver, a parte da prótese que fica "em balanço" além do último implante. Quanto mais para trás o implante posterior puder ser colocado, menor esse balanço. Na mandíbula, o limite é o forame mentoniano. Na maxila, é o seio. Implantes inclinados existem justamente para empurrar esse apoio para trás sem invadir essas estruturas.
Protocolo superior x protocolo inferior no planejamento
| Critério | Protocolo inferior (mandíbula) | Protocolo superior (maxila) |
|---|---|---|
| Densidade óssea mais comum | Mais densa na região anterior | Menos densa, principalmente na região posterior |
| Estrutura anatômica que limita | Forame mentoniano e nervo alveolar inferior | Seio maxilar e, em casos avançados, a própria altura da maxila |
| Configuração clássica de implantes | Quatro implantes entre os forames | Seis implantes, ou quatro com implantes inclinados quando o osso permite |
| Carga imediata | Relatada com frequência sobre três ou quatro implantes | Possível, em geral com mais implantes e critério de travamento |
| Céu da boca | Não se aplica | Fica livre, sem cobertura de palato |
| Alternativas quando falta osso | Implantes inclinados, enxerto | Implantes inclinados, levantamento de seio, implante zigomático |
Dá para fazer só o protocolo de cima ou só o de baixo?
Resposta rápida
Sim. Cada arcada pode ser tratada de forma independente, e muitos pacientes fazem o protocolo em apenas uma delas. O que não pode ser independente é o planejamento: a arcada oposta, com dentes naturais, prótese parcial ou dentadura, define a mordida e a força que o protocolo vai receber. Por isso as duas são avaliadas juntas.
Um exemplo: se a arcada de cima mantém uma dentadura convencional, o protocolo inferior precisa ser desenhado para que a força da mordida não desestabilize a peça de cima.
Qual fazer primeiro, o superior ou o inferior?
Não existe ordem padrão. A decisão considera qual arcada causa mais prejuízo hoje, qual osso está mais preparado e se há necessidade de enxerto em alguma delas. Em muitos casos, as duas arcadas são planejadas juntas e executadas em momentos próximos. Em outros, uma espera a cicatrização da outra. Essa definição acontece na consulta, com a tomografia em mãos.
Quanto tempo leva cada arcada?
Resposta rápida
O prazo depende da carga imediata ser possível ou não, e isso depende do travamento dos implantes. Quando há travamento suficiente, uma prótese provisória fixa pode ser instalada poucos dias após a cirurgia. Quando não há, espera-se a osseointegração. Na maxila, por causa do osso menos denso, esse período de espera costuma ser mais longo do que na mandíbula.
Depois da fase provisória vem a prótese definitiva, feita quando gengiva e osso se estabilizaram. É aí que a estrutura da clínica muda o dia a dia do paciente. O Instituto Smiles trabalha com scanner intraoral, fluxo digital nas reabilitações protéticas e laboratório de próteses interno, que confecciona as peças em resina e em porcelana. Na clínica, a zircônia é usada principalmente em próteses sobre implante. Ter o laboratório no mesmo endereço do planejamento ajuda na personalização da prótese e no prazo.
E quando falta osso na parte de cima?
Resposta rápida
Quando a maxila está muito reabsorvida, as saídas incluem enxerto ósseo, implantes inclinados ou implante zigomático, que se ancora no osso da maçã do rosto em vez da maxila. A escolha depende da quantidade de osso que resta, da saúde geral e do tempo de tratamento aceitável para o paciente.
O implante zigomático é indicado para casos específicos de atrofia severa da maxila. O Instituto Smiles é uma das poucas clínicas da região que realizam implante zigomático, e o Dr. Francisco Loures Valle Lima tem residência clínica em Zygoma Transnasal. Quem ouviu que "não tem osso para implante em cima" encontra os detalhes em.
Como é a avaliação para o protocolo no Instituto Smiles?
Resposta rápida
A avaliação começa pela conversa sobre o que incomoda hoje e pelo exame clínico. Em seguida, radiografia e tomografia são feitas na própria clínica, o que permite ao cirurgião medir altura, espessura e densidade do osso em cada ponto onde um implante pode entrar. Com esses dados, o planejamento define número, posição e inclinação dos implantes em cada arcada.
As cirurgias são conduzidas pelo Dr. Francisco Loures Valle Lima em centro cirúrgico de nível hospitalar, e ele é habilitado em sedação consciente com óxido nitroso, recurso que pode ser discutido com pacientes que têm medo do procedimento. A coordenação clínica é do Dr. Bruno Pardini Gontijo (CRO-MG 33.569), diretor clínico e responsável técnico. A equipe já instalou mais de 30 mil implantes, segundo dados informados pela clínica em agosto de 2026.
Se você ainda está decidindo entre protocolo e dentadura, a comparação entre as duas soluções está em.
Perguntas frequentes
Quantos dentes tem uma prótese protocolo inferior?
A quantidade varia conforme o espaço da boca e a posição dos implantes mais posteriores. Em geral, o protocolo inferior repõe os dentes da frente e os pré-molares, podendo chegar à região do primeiro molar quando o apoio posterior permite. O número exato é definido no planejamento, para equilibrar estética, mastigação e o balanço da prótese além do último implante.
O protocolo superior cobre o céu da boca?
Não. Como a prótese fica presa aos implantes, o palato fica livre. Essa é uma das diferenças mais percebidas por quem usava dentadura superior, que precisa cobrir o céu da boca para ter retenção.
Qual o valor de uma prótese protocolo superior e inferior?
O valor só pode ser informado depois da avaliação com tomografia, porque depende do número de implantes, da necessidade de enxerto, do tipo de prótese provisória e do material da definitiva. Os fatores que compõem esse valor estão explicados em.
Se você perdeu os dentes de uma ou das duas arcadas e quer saber como seria o seu planejamento, o caminho é uma avaliação com tomografia. No Instituto Smiles Odontologia, na Avenida Presidente Kubitschek, 665, Centro, Betim, os exames de imagem são feitos na própria clínica e o planejamento de cada arcada é explicado com calma, incluindo as alternativas. Se quiser, traga um familiar para acompanhar a conversa.
Dr. Bruno Pardini Gontijo, CRO-MG 33.569, diretor clínico do Instituto Smiles Odontologia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação clínica individual.
Fontes
- Revista de Odontologia da UNESP. Matheus JG, Barros LAB, Chavez OFM. Protocolo Superior: da cirurgia à instalação. Rev. odontol. UNESP, v. 42, n. especial
- Oral Implantology (PMC). De Vico G et al. Rationale for tilted implants: FEA considerations and clinical reports
- Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Goiás (CONPEEX). Oliveira RCG, Leles CR et al. Avaliação da qualidade óssea no planejamento em implantodontia: a utilização da tomografia computadorizada


