Dente do siso: quando precisa extrair e quando pode ficar
Francisco Loures Valle LimaSócio e cirurgião chefe
Dor no fundo da boca, gengiva inchada atrás do último dente, dificuldade para abrir a boca. Quem pesquisa sobre dente siso quase sempre está nessa situação e quer uma resposta objetiva: precisa tirar ou não precisa? A resposta honesta é que depende do que o exame mostra, e não só da dor daquele dia.
O siso é o nome popular do terceiro molar, o último dente a se formar. Em muitas pessoas ele nasce sem espaço, fica parcialmente coberto pela gengiva ou permanece preso dentro do osso. Em outras, nasce inteiro, alinhado, fácil de escovar, e pode ficar a vida toda. Este texto organiza os critérios que separam uma situação da outra, com base em diretriz clínica internacional e na forma como a avaliação é feita no Instituto Smiles Odontologia, em Betim.
A autoria técnica é do Dr. Francisco Loures Valle Lima (CRO-MG 33.638), cirurgião chefe e responsável pelas cirurgias da clínica, especialista em Implantodontia e Periodontia. A responsabilidade técnica do Instituto Smiles é do Dr. Bruno Pardini Gontijo (CRO-MG 33.569), diretor clínico.
É realmente necessário tirar o dente do siso?
Nem sempre. A extração do siso é indicada quando existe um problema ativo ou um risco concreto: inflamação na gengiva que se repete, cárie que não pode ser restaurada, dano ao dente vizinho, cisto ou dor recorrente. Um siso bem posicionado, sem sintomas e que você consegue limpar pode ficar, desde que seja acompanhado.
Essa lógica tem respaldo em diretriz técnica. O NICE, instituto que orienta o sistema público de saúde da Inglaterra, recomenda que sisos inclusos sem nenhuma doença associada não sejam removidos de forma preventiva. A mesma orientação lista as situações em que a cirurgia faz sentido: cárie sem possibilidade de restauração, doença na polpa ou na ponta da raiz que não pode ser tratada, infecções, reabsorção de dente, fratura e cistos ou tumores ao redor do dente.
Um ponto dessa diretriz costuma surpreender: um primeiro episódio de pericoronarite, a inflamação da gengiva que cobre parte do siso, não é considerado por si só motivo para operar, a não ser que seja particularmente grave. Quando a inflamação volta, a indicação muda. A decisão precisa de um motivo que o exame confirme, explicado ao paciente.
O que é o siso incluso e o semi-incluso?
Incluso é o siso que ficou totalmente preso no osso ou embaixo da gengiva. Semi-incluso é o que rompeu a gengiva só em parte, deixando uma fresta onde comida e bactérias se acumulam. O semi-incluso é o que mais inflama, justamente por causa dessa fresta difícil de limpar.
Extrair ou acompanhar: critérios que orientam a decisão sobre o siso
| Situação encontrada | O que costuma indicar | Próximo passo |
|---|---|---|
| Siso nascido por completo, alinhado, sem sintomas e fácil de escovar | Pode ficar | Acompanhamento nas consultas de rotina |
| Siso incluso, sem sintomas e sem alteração no exame de imagem | Pode ficar em muitos casos | Monitorar com exame de imagem periódico |
| Primeiro episódio leve de inflamação na gengiva sobre o siso | Nem sempre exige extração | Tratar a inflamação e reavaliar |
| Inflamação na gengiva sobre o siso que volta a acontecer | Extração costuma ser considerada | Exame de imagem e planejamento cirúrgico |
| Cárie no siso que não pode ser restaurada | Extração costuma ser indicada | Avaliar também o dente vizinho |
| Siso encostado no segundo molar, com cárie ou reabsorção nele | Extração costuma ser indicada | Tomografia para medir a extensão |
| Imagem sugestiva de cisto ao redor do siso | Remoção indicada | Tomografia e planejamento cirúrgico |
| Raízes que parecem tocar o canal do nervo na radiografia | Decisão depende da imagem 3D | Tomografia antes de definir a técnica |
Quais os sintomas que o dente siso pode causar?
Os sintomas mais comuns são dor no fundo da boca, gengiva inchada e sensível atrás do último molar, dificuldade para abrir a boca, gosto ruim ou mau hálito e dor que irradia para o ouvido ou para a mandíbula. Febre e inchaço no rosto sugerem infecção e pedem avaliação o quanto antes.
Muita gente descreve uma dor que vem e vai, some por semanas e retorna. Esse padrão é típico da pericoronarite em siso semi-incluso: restos de comida ficam presos sob a gengiva, a região inflama, e quando a inflamação cede a pessoa acha que resolveu.
Nem toda dor naquela região vem do siso. Uma cárie no segundo molar, que fica logo à frente, pode doer de forma parecida, e a gengiva inflamada por acúmulo de placa também. Por isso o diagnóstico começa pelo exame clínico e pela imagem, e não pela suposição. Se a dor é no dente da frente do siso, vale entender como a cárie avança e o que muda em cada fase. Se o que chama atenção é sangramento, o texto sobre gengiva inflamada e sangrando ajuda a separar as causas.
Como a tomografia muda o diagnóstico do siso?
A radiografia panorâmica mostra a posição geral do siso, mas em duas dimensões, com sobreposição de estruturas. Quando as raízes parecem próximas do canal por onde passa o nervo da mandíbula, ou quando há suspeita de cisto, a tomografia mostra em três dimensões a distância real entre dente, nervo e dente vizinho, e isso muda o planejamento.
Na mandíbula passa o nervo alveolar inferior, responsável pela sensibilidade do lábio inferior e do queixo. Em alguns sisos inferiores, as raízes ficam muito perto dele ou até contornam o canal. Na panorâmica, essa relação pode parecer diferente do que realmente é, e a tomografia tira a dúvida ao mostrar o dente em cortes.
Com a imagem tridimensional, o cirurgião consegue decidir por onde acessar o dente, se vale dividir o siso em partes para removê-lo com menos força sobre a região, e se em algum caso específico faz mais sentido acompanhar do que operar. No siso superior, a atenção vai para a proximidade com o seio maxilar, e a tomografia também ajuda a enxergar essa relação.
No Instituto Smiles, o tomógrafo é próprio e os exames de imagem, radiografia e tomografia, são feitos na própria clínica. Na prática, isso evita que o paciente com dor precise ir a um centro de imagem externo, esperar o resultado e voltar, e permite que o planejamento seja discutido com base nas imagens do próprio caso.
Todo siso precisa de tomografia?
Não. Um siso superior bem posicionado, ou um inferior com raízes claramente afastadas do nervo na radiografia, muitas vezes é planejado só com a panorâmica. A tomografia envolve dose de radiação maior que a radiografia comum, então ela é pedida quando a informação extra muda a conduta.
É doloroso tirar o siso?
A extração é feita com anestesia local, cujo objetivo é bloquear a dor durante a cirurgia. O esperado é sentir pressão e movimento. O desconforto aparece depois, quando o efeito da anestesia passa, e costuma ser controlado com a medicação orientada pelo cirurgião. Inchaço nos primeiros dias faz parte da recuperação comum.
O quanto a recuperação incomoda depende da complexidade. Um siso que já nasceu, com raízes simples, sai de forma parecida com a extração de outro molar. Um siso incluso, que exige abrir a gengiva e remover parte do osso, tende a gerar mais inchaço e mais dias de cuidado.
No Instituto Smiles, as cirurgias são feitas em centro cirúrgico de nível hospitalar e ficam sob responsabilidade do Dr. Francisco Loures Valle Lima, que tem habilitação em analgesia relativa com óxido nitroso, a chamada sedação consciente. Se o medo é grande, diga isso na avaliação. Ansiedade é informação clínica e entra no planejamento.
Como costuma ser a recuperação depois da extração?
Nas primeiras horas, a orientação costuma ser morder a gaze, fazer compressas frias do lado de fora do rosto e comer alimentos frios ou pastosos. No primeiro dia, evite bochechos fortes, cuspir com força, canudo e cigarro, porque isso pode deslocar o coágulo que protege o alvéolo.
Procure o cirurgião se o sangramento não diminuir com a compressão, se houver febre, se o inchaço aumentar em vez de ceder ou se a dor piorar com o passar dos dias. Dor que volta forte alguns dias depois pode indicar alveolite, uma inflamação do alvéolo que tem tratamento e precisa ser avaliada. Quando a extração é de outro dente, e não do siso, os cuidados se parecem, e o texto sobre extração explica o que vem depois.
É possível viver sem tirar o siso?
Sim. Muitas pessoas mantêm os sisos a vida inteira sem problema, principalmente quando eles nasceram por completo, estão alinhados e recebem boa higiene. A condição é acompanhamento: um siso retido pode ficar anos quieto e dar sinal mais tarde, por isso consultas periódicas com exame de imagem fazem parte da decisão de manter.
O ponto fraco dessa escolha costuma ser justamente o acompanhamento. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, do IBGE, 49,4% das pessoas consultaram dentista nos 12 meses anteriores à entrevista. Menos da metade. Quem decide manter um siso incluso e some das consultas perde a chance de perceber uma alteração enquanto ela ainda é pequena.
A decisão também considera idade, saúde geral e rotina de higiene, porque esses fatores influenciam tanto a cirurgia quanto a cicatrização. Por isso a pergunta certa não é só "dói ou não dói hoje", e sim "o que o exame mostra e qual o plano para os próximos anos".
Perguntas frequentes
Quanto custa remover 1 siso?
O valor depende da posição do dente, de ele estar incluso ou já nascido, da necessidade de tomografia e de quantos sisos serão removidos no mesmo procedimento. Por isso ele só pode ser definido depois da avaliação clínica e do exame de imagem.
Qual é a função do dente siso?
O siso é um molar e, quando nasce alinhado e encontra o dente oposto, participa da mastigação como os outros. O problema aparece quando falta espaço na arcada e ele nasce torto, parcialmente ou não nasce.
Dá para tirar os quatro sisos de uma vez?
Em alguns casos, sim. A decisão depende da posição de cada dente, da saúde geral do paciente e do tipo de anestesia planejado, e é tomada pelo cirurgião depois de analisar as imagens.
O siso inflamado pode desinflamar sozinho?
A inflamação pode ceder por um tempo, mas a causa, geralmente a gengiva sobre o siso que acumula resíduos, continua presente. Se os episódios se repetem, a extração passa a ser considerada. Febre ou inchaço no rosto pedem avaliação o quanto antes.
Se o siso está incomodando ou se você quer saber se o seu pode ficar, a avaliação no Instituto Smiles Odontologia começa pelo exame clínico e, quando indicado, pelos exames de imagem feitos na própria clínica, com tomógrafo próprio. A clínica fica na Avenida Presidente Kubitschek, 665, Centro, Betim, com estacionamento próprio, e atende de segunda a sexta, das 8h às 19h, e aos sábados, das 8h às 12h.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação clínica individual.


