Extração de dente: quando é inevitável e o que vem depois
Francisco Loures Valle LimaSócio e cirurgião chefe
A extração de dente costuma aparecer em uma conversa difícil: o dente dói, está quebrado ou mole, e alguém diz que o jeito é tirar. Para muita gente, a primeira reação é aceitar logo, para acabar com o incômodo. A segunda dúvida chega depois, quando o espaço vazio começa a incomodar mais do que a dor.
Este artigo explica quando a extração é realmente inevitável, quando ainda vale tentar manter o dente, como o procedimento é feito, quais cuidados fazem diferença na recuperação e, principalmente, o que planejar para o espaço que fica. A revisão técnica é do Dr. Francisco Loures Valle Lima (CRO-MG 33.638), cirurgião chefe do Instituto Smiles Odontologia, especialista em Implantodontia e em Periodontia.
O ponto central é simples: tirar um dente é uma decisão clínica, e deixar o espaço sem plano é outra decisão, com consequências próprias. As duas merecem ser tomadas com calma e com exame em mãos.
Quando a extração de dente é realmente inevitável?
Resposta rápida
A extração é inevitável quando o dente não pode ser mantido com restauração, tratamento de canal ou tratamento da gengiva. Isso acontece em fraturas que descem pela raiz, em destruições por cárie sem estrutura para reconstruir, em perdas graves de osso de suporte e em dentes inclusos que causam problemas repetidos.
A palavra decisiva é "manter". Um dente com dor forte, por exemplo, muitas vezes pode ser salvo com tratamento de canal, porque a dor vem da inflamação da polpa, e não da estrutura do dente em si. Já um dente com fratura vertical da raiz raramente tem conserto, porque a rachadura cria um caminho permanente para bactérias.
A tabela abaixo resume as situações mais comuns e o que costuma pesar na decisão. Ela serve para orientar a conversa com o dentista, não para fechar diagnóstico em casa.
Extrair ou tentar manter o dente
| Situação | Dá para tentar manter? | O que costuma decidir |
|---|---|---|
| Cárie profunda que atingiu a polpa | Muitas vezes, com tratamento de canal e reconstrução | Quantidade de estrutura saudável restante |
| Fratura na coroa do dente | Com frequência, com restauração ou coroa | Se a fratura alcança a raiz |
| Fratura vertical da raiz | Raramente | Extensão da fratura vista em exame de imagem |
| Doença periodontal com dente mole | Em fases iniciais e moderadas, sim | Quantidade de osso que ainda sustenta o dente |
| Siso incluso sem sintomas | Pode ficar em acompanhamento | Posição, risco para o dente vizinho e histórico de inflamação |
| Abscesso ou infecção | Depende da origem da infecção | Se a causa pode ser tratada pelo canal ou pela gengiva |
Dente doendo muito significa que precisa tirar?
Não necessariamente. Dor intensa e latejante costuma indicar inflamação na polpa, a parte interna do dente, e o tratamento de canal existe justamente para tratar essa inflamação preservando o dente. O artigo sobre como funciona o canal no dente explica esse caminho em detalhe.
Quando o dente está mole, a pergunta passa a ser outra: quanto osso ainda existe ao redor da raiz. Essa resposta vem do exame periodontal e das imagens, e é nessa avaliação que a periodontia define se o dente pode ser estabilizado ou se a extração protege o restante da boca.
Como é feita a extração de dente?
Resposta rápida
A extração é feita com anestesia local. Na extração simples, o dente está visível e é removido com instrumentos próprios após ser solto do osso. Na extração cirúrgica, indicada para dentes inclusos, raízes fraturadas ou casos complexos, o cirurgião afasta a gengiva, pode dividir o dente em partes e costuma fechar a região com pontos.
Antes do procedimento, a anamnese é tão importante quanto o exame. O dentista precisa saber se você usa anticoagulantes, se tem diabetes, pressão alta ou outra condição de saúde e se faz uso de medicamentos que interferem na cicatrização óssea. Leve a lista dos seus remédios para a consulta.
O exame de imagem define o grau de dificuldade. Uma radiografia resolve boa parte dos casos, e a tomografia entra quando a raiz está próxima de nervos, do seio maxilar ou quando o dente está incluso. No Instituto Smiles, que tem como diretor clínico e responsável técnico o Dr. Bruno Pardini Gontijo (CRO-MG 33.569), radiografia e tomografia são feitas na própria clínica, e as cirurgias ficam sob responsabilidade do Dr. Francisco, em centro cirúrgico de nível hospitalar.
Para quem tem muito medo, vale saber que o Dr. Francisco tem habilitação em analgesia relativa, a sedação consciente com óxido nitroso. Se a ansiedade é o que está adiando o tratamento, esse é um assunto para a avaliação.
Qual o dente mais difícil de ser extraído?
Os sisos inferiores inclusos costumam ser os casos mais delicados, porque as raízes podem ficar próximas do nervo que dá sensibilidade ao lábio e ao queixo. Molares superiores também pedem atenção, pela proximidade com o seio maxilar. O artigo sobre quando o dente do siso precisa ser extraído aprofunda esse tema.
Quais os riscos de uma extração de dente?
Resposta rápida
Na maioria dos casos, a extração bem planejada tem recuperação tranquila. Os riscos mais conhecidos são a alveolite, quando o coágulo se desfaz e a região fica dolorida, sangramento prolongado, alteração temporária de sensibilidade em extrações próximas a nervos e comunicação com o seio maxilar em dentes superiores posteriores.
Boa parte desses riscos é reduzida por duas atitudes: planejamento com exame de imagem antes da cirurgia e cuidado rigoroso nos primeiros dias depois dela. A primeira é responsabilidade da equipe. A segunda depende muito do paciente.
Quais cuidados ajudam na recuperação depois da extração?
Resposta rápida
Os primeiros dias são os mais importantes para proteger o coágulo que se forma no local. Evite bochechar com força, cuspir, usar canudo, fumar e fazer esforço físico. Prefira alimentos frios ou mornos e pastosos, mastigue do outro lado e siga exatamente a medicação prescrita. O tempo de afastamento é definido pelo dentista conforme a complexidade.
Escove os outros dentes normalmente, com cuidado perto da região operada. Compressas frias na face, do lado de fora, costumam ajudar a controlar o inchaço inicial, se o dentista orientar. Não mexa no local com a língua ou com os dedos.
É normal sentir dor quatro dias após a extração?
Um desconforto que diminui a cada dia é esperado. O sinal de alerta é a dor que piora depois de alguns dias, principalmente se vier com gosto ruim ou mau cheiro, o que pode indicar alveolite. Febre, inchaço crescente ou sangramento que não para também pedem contato imediato com o dentista.
O que acontece se o espaço do dente extraído ficar vazio?
Resposta rápida
Quando o espaço fica vazio, os dentes vizinhos tendem a se inclinar em direção a ele, o dente de cima ou de baixo pode descer ou subir por falta de contato e o osso da região perde volume com o tempo. A mastigação passa a sobrecarregar o outro lado. Por isso, a reposição deve ser planejada junto com a extração.
Esse efeito aparece nos números do país. Os primeiros resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, o SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde, mostram que 53,7% dos adultos de 35 a 44 anos têm necessidade de algum tipo de prótese dentária, sendo mais frequente a prótese parcial. Entre as pessoas de 65 a 74 anos, 36,27% haviam perdido todos os dentes, contra 53,70% em 2010. A Organização Mundial da Saúde aponta a cárie avançada e a doença periodontal grave como as principais causas de perda dentária.
O dado mostra avanço e, ao mesmo tempo, uma lacuna: muita gente tira o dente e não repõe. Na prática clínica do Instituto Smiles, pacientes acima de 30 anos que perderam um, dois ou três dentes costumam precisar de reabilitação parcial com implante unitário.
Quais são as opções para repor o dente extraído?
A escolha depende de quantos dentes faltam, da saúde dos vizinhos, da quantidade de osso e das expectativas de cada paciente. Em alguns casos, o implante pode ser instalado na mesma cirurgia da extração. Em outros, é preciso esperar a cicatrização ou reconstruir osso antes. Só o exame define o caminho.
Opções para repor um dente depois da extração
| Opção | Como funciona | Pontos a considerar |
|---|---|---|
| Implante unitário | Um pino de titânio no osso recebe uma coroa individual | Não depende dos dentes vizinhos e exige osso suficiente ou reconstrução prévia |
| Ponte fixa | Coroas nos dentes vizinhos sustentam o dente que falta | Exige desgaste dos dentes de apoio |
| Prótese parcial removível | Peça que o paciente coloca e retira, apoiada em dentes e gengiva | Solução mais simples, com adaptação e manutenção diferentes |
| Acompanhamento sem reposição | Espaço mantido vazio com revisões periódicas | Possível em situações específicas, como alguns sisos, e decidido em avaliação |
A diferença entre ponte, coroa e soluções fixas sobre implante está no artigo sobre prótese fixa, ponte e coroa. Quando a extração e o implante são planejados pela mesma equipe, a tomografia usada para a cirurgia já orienta a futura reposição, e o laboratório interno da clínica confecciona a prótese a partir desse planejamento.
Perguntas frequentes
Qual o valor de uma extração de dente?
O valor depende da complexidade: uma extração simples é diferente de um siso incluso ou de uma raiz fraturada, que exigem técnica cirúrgica e, às vezes, tomografia. Por isso, o investimento só pode ser definido depois da avaliação e do exame de imagem.
Extração de dente dói?
A anestesia local bloqueia a dor durante o procedimento, e é comum sentir apenas pressão. Depois que a anestesia passa, pode haver desconforto nos primeiros dias, controlado com a medicação prescrita pelo dentista.
Quanto tempo depois da extração posso colocar implante?
Depende do caso. Há situações em que o implante é instalado na mesma cirurgia e outras em que é preciso aguardar a cicatrização ou reconstruir o osso. A tomografia e a avaliação do cirurgião definem o momento.
Posso tirar o dente e não colocar nada no lugar?
É possível em situações específicas, como alguns sisos, mas na maioria dos dentes o espaço vazio traz mudanças na mordida e no osso ao longo do tempo. Converse sobre a reposição antes da extração, e não depois.
Se você ouviu que precisa extrair um dente, ou se já tirou e o espaço ficou vazio, uma avaliação ajuda a entender se o dente pode ser mantido e, se não puder, qual é o plano para depois. No Instituto Smiles Odontologia, na Avenida Presidente Kubitschek, 665, Centro, Betim, os exames de imagem são feitos na própria clínica e as cirurgias ficam com o Dr. Francisco Loures Valle Lima.
Dr. Bruno Pardini Gontijo, CRO-MG 33.569, diretor clínico do Instituto Smiles Odontologia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação clínica individual.


