Implante zigomático: a alternativa para quem ouviu que não tem osso
Francisco Loures Valle LimaSócio e cirurgião chefe
"Você não tem osso para implante." Muita gente que usa dentadura superior há anos já ouviu essa frase e voltou para casa achando que só restava continuar com a prótese que solta. O implante zigomático existe justamente para parte desses casos: ele se apoia no osso da maçã do rosto, que costuma se manter firme mesmo quando o osso da boca diminuiu muito.
É um tratamento de alta complexidade, com indicação precisa, e por isso merece ser explicado com cuidado, sem exagero nem promessa. Este texto foi escrito para o paciente e para o familiar que pesquisa junto: o que é o implante zigomático, quando ele entra em cena, o que a ciência mostra sobre durabilidade e riscos, e por que só a tomografia e a avaliação clínica podem dizer se ele é o caminho para você.
No Instituto Smiles Odontologia, em Betim, as cirurgias são conduzidas pelo Dr. Francisco Loures Valle Lima (CRO-MG 33.638), cirurgião chefe, especialista em Implantodontia e em Periodontia, com residência clínica em Zygoma Transnasal (2022). A clínica, sob direção clínica do Dr. Bruno Pardini Gontijo (CRO-MG 33.569), é uma das poucas clínicas da região que realizam implante zigomático.
O que é o implante zigomático?
Resposta rápida
O implante zigomático é um implante de titânio mais longo que o convencional, instalado de dentro da boca até o osso zigomático, o osso da maçã do rosto. Ele serve de apoio para uma prótese fixa na arcada superior quando o osso da maxila, a parte de cima da boca, não tem altura ou volume suficiente para implantes comuns.
O implante convencional precisa de osso ao redor de todo o seu comprimento, e na arcada superior esse osso fica logo abaixo do seio maxilar, uma cavidade de ar dentro da face. Depois de anos sem dentes, esse osso costuma ficar fino e baixo. O implante zigomático contorna esse problema buscando apoio mais acima, em uma região de osso denso.
Em muitos planejamentos, os implantes zigomáticos trabalham em conjunto com implantes convencionais na parte da frente da boca, ou em pares, conforme a quantidade de osso disponível. Sobre eles é instalada uma prótese fixa, no mesmo conceito do protocolo, explicado no artigo sobre o que é o protocolo e como é o processo.
O que significa ouvir que "não tem osso"?
Resposta rápida
Em geral, a frase quer dizer que falta osso para um implante comum em determinada região, e não que a boca inteira está sem osso. A tomografia mostra a altura e a espessura do osso em cada ponto. Com ela em mãos, o planejamento pode usar implantes convencionais, implantes inclinados, enxertos ósseos ou implantes zigomáticos.
Por isso, a mesma pessoa pode ouvir respostas diferentes em lugares diferentes, sem que nenhuma delas esteja necessariamente errada. Um profissional pode indicar enxerto e esperar alguns meses antes do implante. Outro pode planejar implantes inclinados que aproveitam o osso da frente. Um terceiro, com formação específica, pode considerar o zigomático. O que muda é o conjunto de técnicas disponíveis e a leitura do exame de imagem.
Para o paciente, a tradução prática é esta: antes de desistir, vale ter uma tomografia recente avaliada por quem trabalha com todas essas alternativas. No Instituto Smiles, o tomógrafo é próprio e o exame é feito na clínica, o que permite discutir o planejamento com a imagem em mãos.
Caminhos possíveis quando o osso da arcada superior é pouco
| Situação na tomografia | Caminho que costuma ser considerado | O que o paciente precisa saber |
|---|---|---|
| Osso suficiente na frente e no fundo | Implantes convencionais | Planejamento mais simples |
| Osso bom na frente, pouco no fundo | Implantes inclinados ou curtos | Aproveita o osso existente, sem enxerto em parte dos casos |
| Pouco osso abaixo do seio maxilar | Enxerto ou levantamento do seio maxilar | Exige tempo de cicatrização antes dos implantes |
| Osso muito reduzido em grande parte da maxila | Implantes zigomáticos, isolados ou com convencionais | Técnica de alta complexidade, indicação individual |
| Condição de saúde que contraindica cirurgia | Prótese removível ajustada ou nova | Decisão conjunta com o médico do paciente |
Quem pode fazer implante zigomático?
Resposta rápida
A principal indicação é a atrofia severa da maxila, quando o osso da arcada superior diminuiu tanto que implantes convencionais não têm onde se apoiar. Também é considerado quando enxertos anteriores falharam ou quando o paciente não deseja passar por procedimentos extensos de enxerto. A indicação final depende da tomografia e da avaliação clínica.
Uma revisão sistemática com metanálise publicada em 2023 no International Journal of Implant Dentistry descreve exatamente esse cenário: a reabilitação com implantes na maxila é um desafio cirúrgico quando o volume de osso é inadequado, e o implante zigomático aparece como alternativa para pacientes com atrofia importante e para quem não quer passar por grandes procedimentos de enxerto. A mesma revisão cita ainda usos em reconstruções após tratamentos de câncer ou traumas.
Um perfil frequente nessa situação é o de quem usa dentadura superior há muitos anos, já tentou ajustes e reembasamentos, e sente a prótese soltar ao comer e ao falar. Se esse é o seu caso, o artigo sobre por que a dentadura se solta ajuda a entender o que está acontecendo com o osso.
Existe implante zigomático na arcada de baixo?
Não. O implante zigomático é, por definição, ancorado no osso da maçã do rosto, e por isso é usado na arcada superior. Na arcada inferior, quando o osso é pouco, o planejamento recorre a outras técnicas, como implantes na região da frente da mandíbula, implantes curtos ou enxertos, conforme a tomografia.
Quanto tempo dura um implante zigomático?
Resposta rápida
Uma revisão sistemática com metanálise de 2023 reuniu 18 estudos, com 1.349 implantes zigomáticos em 623 pacientes acompanhados em média por pouco mais de seis anos. A taxa de sobrevivência foi de 96,2% em seis anos, com falhas em torno de 0,7% ao ano. A duração individual depende da higiene, das revisões e da saúde geral.
A revisão, publicada no International Journal of Implant Dentistry, também encontrou sobrevivência de 94% das próteses apoiadas nesses implantes e relatos de aumento da satisfação dos pacientes. São dados que mostram uma técnica consolidada, mas que não servem como promessa individual: cada caso tem seu próprio risco, avaliado no planejamento.
A revisão comparou ainda implantes que receberam a prótese logo após a cirurgia com implantes que aguardaram a cicatrização. A sobrevivência foi de 98,1% no primeiro grupo e 95% no segundo. Isso não quer dizer que a carga imediata seja possível para todos. Ela depende da estabilidade que cada implante alcança na cirurgia, e essa decisão só é tomada no momento certo, pela equipe.
Quais são os riscos do implante zigomático?
Resposta rápida
O risco mais frequente é a sinusite, inflamação do seio maxilar, que aparece em uma parcela dos pacientes nos anos seguintes. Também são descritas comunicação entre a boca e o seio maxilar, infecções, inflamação ao redor do implante, dor e alterações de sensibilidade na face. Planejamento por tomografia e acompanhamento reduzem esses riscos, mas não os eliminam.
Na revisão de 2023, a prevalência de sinusite foi de 14,2% em cinco anos, variando bastante entre os estudos conforme o tempo de acompanhamento. É um número que precisa ser dito com clareza ao paciente antes da cirurgia. Muitos desses quadros são tratáveis, mas exigem retorno rápido ao consultório diante de sintomas como secreção nasal persistente, dor na face ou mau cheiro.
Por ser uma técnica de alta complexidade, o implante zigomático pede formação específica do cirurgião e estrutura adequada. No Instituto Smiles, as cirurgias acontecem no centro cirúrgico de nível hospitalar da clínica. A prótese final é confeccionada no laboratório interno, e a zircônia é o material usado principalmente nas próteses sobre implante da clínica.
E o medo da cirurgia?
É natural. Quem ouviu por anos que não tinha solução costuma chegar com receio e com muitas perguntas. A forma de anestesia e o controle do conforto durante a cirurgia são definidos no planejamento, de acordo com o caso e a saúde geral. O Dr. Francisco também tem habilitação em analgesia relativa e sedação consciente com óxido nitroso (2024), recurso que pode ser indicado para pacientes ansiosos em procedimentos odontológicos. Trazer um familiar para a conversa de planejamento ajuda a tomar a decisão com tranquilidade.
Perguntas frequentes
Qual é o valor de um implante zigomático?
O valor depende do número de implantes zigomáticos e convencionais, do tipo de prótese, da forma de carga e de procedimentos complementares. Por isso não é possível informar um valor antes da tomografia e do planejamento. O artigo sobre o que compõe o valor de um implante explica esses componentes.
O implante zigomático é perigoso?
É uma cirurgia de alta complexidade, com riscos conhecidos, como a sinusite, descritos na literatura. Com indicação correta, tomografia, cirurgião com formação específica e estrutura adequada, os estudos mostram taxas altas de sobrevivência. A decisão deve ser tomada depois de o paciente entender riscos e alternativas.
Como é a recuperação do implante zigomático?
Nos primeiros dias, inchaço e desconforto na face são esperados e controlados com as orientações e medicações prescritas. A alimentação é leve na fase inicial. O acompanhamento continua nos meses seguintes, com revisões da prótese e da saúde do seio maxilar.
O implante zigomático pode cair?
Pode haver falha, como em qualquer implante, mas ela é pouco frequente na literatura: a revisão de 2023 encontrou perdas em torno de 0,7% ao ano. Higiene, revisões periódicas e retorno rápido diante de sintomas são o que mais protege o tratamento a longo prazo.
Se você ouviu que não tem osso para implante, vale uma segunda leitura do seu caso com tomografia atual. No Instituto Smiles Odontologia, na Avenida Presidente Kubitschek, 665, Centro, Betim, o exame é feito na própria clínica e o planejamento é explicado a você e a quem quiser acompanhar a consulta, com todas as alternativas possíveis sobre a mesa.
Dr. Bruno Pardini Gontijo, CRO-MG 33.569, diretor clínico do Instituto Smiles Odontologia.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação clínica individual.


